domingo, 30 de novembro de 2014

contagem


ponteiros se sobrepõem
no passar das horas
e nada
acumulo minutos de ingratidão
passíveis de cobrança
sempre passíveis de cobrança
passivos.
passáveis, talvez
como o tempo
que continua intercalando
horas minutos segundos
prefiro pensar no intermediário
como a meta de equilíbrio na vida
assim a culpa se dilui mais depressa
não tanto quanto o ponteiro que não para
mas o bastante para aguardar as horas
em que tudo será retribuído compensado
em que poderei mergulhar sem sentir frio
em que irei emergir sorrindo
e voltar os olhos para quem amo
vitoriosa por meu desempenho
naquela piscina vazia de gente
porque as pessoas estavam aqui ao lado
sem cronômetro
apenas entregues presentes
e os ponteiros serão novamente
uma mera burocracia da cidade
para aproximar todo mundo
evitar desencontros
pela falta de sincronia
e ocuparei o meu espaço
no molhado e no seco
mais habitados que antes.
                                                                                                

Raquel Abrantes

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