domingo, 24 de outubro de 2010

Vale

Que cheiro pode um vale exalar
se as narinas impregnam o odor
corrente, abafando a cada minuto
os múltiplos aromas ainda por sentir?

Que cheiro pode o vento trazer
de tão longe, sem deixar pelo caminho
as familiares substâncias da fórmula
que a mente recria por um instante

Que cheiro posso eu disseminar
para abalar o ar em mim envolto
abrindo canais para a sensação aromática
entre químicas nunca antes inspiradas

Que cheiro pode o amor reverberar
na sua descontinuidade de efeitos
passando de perfumado a inodoro
como a rosa que encerra seu ato

Aroma que se esvai e leva consigo
as inatas sensações ainda por conhecer
que o marcante cheiro apagou dos ares
no vale onde as fragrâncias se anulam.


Raquel Abrantes

4 comentários:

  1. NOSSA MINHA BRANQUINHA TÁ INSPIRADISSIMA,HEIN!

    ResponderExcluir
  2. Vale dizer que a subjetividade do "Vale" encaixa-se qualquer um dos nossos SENTIDOS; ou todos...

    Te amo minha linda!

    Como consegue dar tanta vida as palavras até senti o cheiro vindo e escapando de mim...

    ResponderExcluir
  3. As palavras, as palavras, não mais as tenho... Foi um texto acima, que li.

    ;)

    ResponderExcluir
  4. Olá! Parabéns pelo blog! Muito bom mesmo!! Adorei essa sua poesia também.. Se puder, visite meu blog e me siga: < http://vidaempoesiaearte.blogspot.com/ > Brigadão!! Bjo, Adriano

    ResponderExcluir