sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Som


o som
que transpassa 
as batidas ritmadas
e aceleradas
do coração inquieto
lembra outros
corações transtornados
que transcenderam
um momento
uma fase
uma crase
imposta pela regra
da gramática
tão dispensável
que de nada serve
ao sentimento real
ao sentido do dizer
porque o som
diz mais
que mil preposições
que todas as obrigações
já que o sentido
está no verso
no reverso
no transverso
no gesto
no sonoro acalento
do diverso
na revisão 
do íntimo
perverso
no ínfimo
universo
de cada ser
despreparado
para as facetas
trancadas
esquecidas
de uma vida
despercebida
pela rapidez
urgente
de uma solução
rimada
cobrada
purista 
individualista
que passa
que perde
que não percebe
a graça
de uma vírgula
uma pausa
um silêncio
que diz:
pare e olhe
porque a beleza
não corre


Raquel Abrantes

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