terça-feira, 11 de setembro de 2012

Quando


Quando
ao sentar na varanda
de um fim de tarde
uma janela ao longe
reflete o sol
mais que as outras
noto a singularidade
de um momento
que se esvai
por uma leve distração

Quando
volto a buscar o brilho
já não destaca aquela forma
agora tão simples quanto as outras
sem perceber o motivo
como o sol que se põe
trazendo a igualdade
a opacidade prévia da noite

Quando
as luzes artificiais
iluminam todas as janelas
da cidade
sem critério
sem mistério
sem mérito
apenas um artifício
para enxergar
na escuridão 


Raquel Abrantes

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