segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A cidade


os ruídos da cidade
circulante perturbadora
também têm seus vazios
dando espaço ao canto
dos pássaros que ainda existem
acima do asfalto
continuamente maltratado
pela velocidade cotidiana
de uma meta perversa
de um soluço a ser superado
de uma perda presente
rumo ao futuro incerto
infinitamente duvidoso
duvidosamente planejado
verdadeiramente esperado
apesar do atual momento
que já passou
o canto já passou
e o asfalto estanque
não permite a passagem
nos cruzamentos
das vidas errantes
gritantes
e escassas de melodia 


Raquel Abrantes

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