sexta-feira, 6 de abril de 2012

Penso nas vírgulas que deixei de escrever

dariam continuidade a uma frase bem estruturada

cheia de sentido, completamente eufórica

por existir a cada dia, serena e realizada

apesar de seus pormenores indesejados

sempre estarão lá também, é sabido

mas que problema seria esse, tão irrelevante?

é mais como uma forma de evitar a perfeição

e o medo evidente dos meus próprios defeitos

esqueço somente ao ver os erros dos outros

o arrependimento, disso bem entendo

não há culpa capaz de alterar papel impresso

o que, de certo modo, conforta, página a página

(lembrando ser possível mudar a letra na próxima)

Percebo as influências por mim incorporadas

de instantes vividos, coisas novas, desconhecidas

passam a fazer parte dos meus rabiscos

chego a ultrapassar o nome; conjugo o verbo

mesmo ao repetir gostos e olhares e feições

antes necessários, agora de bom grado

alguns, sinceramente, em grau de nostalgia

de fato, são a releitura de um momento

ofereço minha grafia, assim como preservo

as palavras boas de pronunciar.


Raquel Abrantes

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