segunda-feira, 16 de abril de 2012

de volta o corpo

Por Juliana Berriel*

carnadura proclamada até a última gota. apesar de toda a vestimenta. os gritos curvos, subjacentes, sobrepunham-se vez ou outra à atmosfera deslizante. o que se via não se pensava. e vice-versa. encruzilhada entre o desejo respirante e o enquadramento forçado. ausência desfigurada de si. para onde a mente escapa quando não se quer estar. para a cicatriz que tenta esconder no canto da boca. por todas as línguas que ali repousaram desfilaram se aconchegaram e passaram, inclusive a própria. angústias conscientemente prolongadas, excessos deliciosamente cometidos. desvios que a sensatez, leviana, nos obriga a disfarçar. as falas errôneas gagas entrecortadas pela saliva, pelas pausas, que mais pareciam um lapso para a redenção. tudo perfeitamente fora de lugar. provoca o riso. a retidão forjada provoca o riso. e o movimento acontece, torto. traz de volta o corpo desajeitado, mudo e ainda vivo.

*Outros textos da escritora em http://santamatrioska.blogspot.com.br/

Um comentário:

  1. Lindo, Ju! às vezes não queremos estar (ser) em nenhuma língua... muito menos dizer.

    Obrigada pela participação!

    Beijos

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