domingo, 5 de julho de 2009

Certos signos



Imaginava a seqüência a ser escrita, sutilmente entre os ditos e os não-ditos, naquela gratificante permuta de vivências, confidências entregues à delicia de libertar vazios... Certos signos remetem a assuntos já destoados de nossas vozes, cruzadas na sintonia do olhar adiante, de transladar o ocorrido pela escolha do vento de amanhã. A página seguinte carrega afinidades casuais, simulando a dança das folhas cadentes de suas origens arbóreas. Como a leveza de uma pena colorida, que acaricia arrancando risadas pertinentes ao diálogo das retóricas. Da mesma forma, uma brisa solfejada solta a imaginação que nos insere, nos reparte e deixa reverberar. E das referências compartilhadas, a patente se encanta por uma orquestra de alusões, principiando o uníssono de aliterações bem articuladas. Mesmo sem avistar a sombra dos traços labiais... efeitos de luz das expressões suprimidas... recria-se a latência onírica. Escalada de pretensões até o alto de nossos sonhos, poderosos ajudantes na arte de sucumbir aos delírios inacabados, de nossa loucura confessa, na celebração das distorções proeminentes de nossas almas. A partir da rota de fuga, entre cartéis de notícias incompletas em sua parcialidade, a escapatória encerra na neblina de afazeres criativos, possibilitando o encontro delineador de nossas falas, que tentam dizer...


Raquel Abrantes

2 comentários:

  1. "Delícia de libertar um vazio". Isso é lindo, na verdade este 'vazio' já é, em si, um chamado à 'sequência a ser escrita'. Dá vontade de continuar este "livro de cabeceira" (lembra do filme?).
    Bjs
    CEL

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  2. Oi, Carlos Eduardo!

    Por favor, continue. Adoraria ver. Não vi esse filme... ainda. Obrigada pela dica!

    Beijos

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