segunda-feira, 8 de junho de 2009

Acabamento


Leu em mim toda a história não-narrada, nas figuras imersas em porvir. Desde o será até onde teria ido, acaso as nuvens transpassassem o azul do remoto céu. Alheio a contrastes no cetim, juntou as pontas do tecido bordado (em autoconhecimento). Colcha de retalhos formadores de instigante complexidade. Na beira, foi trazendo consigo todas as alegrias adormecidas nesta cama, pouco a pouco, sem a velocidade do que ignora o horizonte. E entre desenhos e enlevos, pintou sua forma, guardada em algum canto de satisfatórias recordações. Embevecido de indescritível colorido, o tecido experimentou outros tons, degradês crescentes de euforia, ladeando o belo acabamento de uma junção reformulada dia após dia...


Raquel Abrantes

5 comentários:

  1. Se cada um de nós pudesse ter sempre um história com este final que bom seria para nós mulheres.....porque na prática poucos deixam as tais "satisfatórias recordaões".
    Beijos Lindo Blog.
    Vania

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  2. Não é um post sobre o acabamento, é apenas para lhe dizer que dei com o seu blogue, entrei e encantei-me. Descobri nele um espaço de afectos. Parabéns. Voltarei

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  3. "Acabamento"

    Que lindo!
    ...sabe, uma vez vi um filme onde uma pessoa deixou para as pessoas que mais amava na vida, fragmentos de cada fase da vida deles estampada num "Acabamento" que ninguém haveria de destruir, lembraças de uma vida que jamais, minuto algum desses fragmentos voltariam no tempo; senão através de seu próprio "Acabamento"...

    Como sempre linda você!!!!! Te amo.

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  4. "degradês crescentes de euforia"
    Que linda imagem! Isso é pura poesia feito de mais pura prosa. Decreto que vc com esta sua sensibilidade não pare nunca mais de escrever, assim mesmo, com a lama da alma na ponta dos dedos.
    Do teu leitor,
    CEL

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  5. Carlos, obrigada por inspirar em mim a sucessão de descontinuidades que é a vida.

    Beijo grande.

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