terça-feira, 26 de maio de 2009

Ninguém ligou


No dia seguinte, ninguém ligou. Quando fiquei mais velho sozinho no meu canto, apesar de ver claramente a cruzada de pernas no sofá, acendi o cigarro, da marca que ela fumava, e deixei queimar no cinzeiro, para ver se o cheiro do perfume surgia junto no ar. Fui dormir e deitei do meu lado, o esquerdo, e do outro coloquei o travesseiro para ter o que abraçar. Jogava as pernas por cima, eu costumava envolver o corpo dela antes de desmaiar. Tentei pensar no trabalho, mas sonhei com o vermelho do vestido... sem o corpo que mexia comigo. Como pude esquecer aquela data, hoje lembro de todas, incluindo as que criamos para comemorar. Ligava a televisão e ela, o som, disputávamos o ambiente, por nossos gostos diferentes, agora a tevê virou apoio do retrato que não paro de olhar. Cada vez é mais difícil o suplício de aceitar a lâmpada que fiquei de trocar, a parede que deixei de pintar. Sorria todos os dias pela manhã... e não pude acreditar. Ninguém ligou no dia seguinte.


Raquel Abrantes

5 comentários:

  1. Amigaaaa...
    Adorei, sério mesmo!....olha o milagre, agora vc acredita..rs...eu li...rs.
    Viuuuu...
    Parabéns amiga!

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  2. ...é a verdadeira essencia do ser lindo e inteligente que vejo crescendo cada vez mais

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  3. Seu texto tem um ritmo gostoso.. Lindo, parabéns!
    Beijos,
    Raquel

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  4. tem gente copiando teus textos.
    (blog ocantodopensamento, busca no google)

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