sexta-feira, 1 de maio de 2009

Chuva



Começou a chover em nossos pensamentos de procurar abrigo. As gotas no vidro olhavam pra mim abstraindo a graça do verão. Do brilho que fazia tudo rir, estava cinza e opaco entre nossos lugares... que não se encontravam. A rua era a mesma, apesar da mudança da estação, e não resistimos ir em direção ao reconhecido. O guarda-chuva cobria parcialmente nossos corpos, que mantinham certa distância (recomendada) em meio ao frio que tentávamos enganar com o suor do reencontro. Nas suas palavras, minhas expressões acalmavam, incentivando a beleza que sua vontade inspira (calada). E na transparência dos seus olhos me despia, encoberta pelo medo, incerto do momento. A troca de mãos sobre a haste que nos protegia permitia o mínimo contato, velado e contagioso. O quanto já sabemos da vicissitude dos fatos me queria mais que a você e, alerta, me propus a ir embora. Você deixou que me partisse, inaudita de conhecimento e imune de sentimentos que não pude perceber.


Raquel Abrantes

Um comentário:

  1. Sabe que a chuva serve também para baixar a poeira. Hoje eu acordei cantando 'don't know why there's no sun up in the sky: stormy weather'. Sabe que é bem bacana tudo que você escreve? Sabe que a trilha pela muralha também é bem bacana?
    Beijodaí.

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