sábado, 18 de abril de 2009

Regras

Olá, seja bem-vindo, entre. Aqui está sua escova de dente, sua toalha. Estenda suas roupas ali, não aqui, por favor, entenda. O seu lado da cama é o direito, o do armário, o esquerdo. Use o sabonete branco e não deixe as coisas por aí, em qualquer canto. Se sujar, não deixe de lavar. Se quebrar, não tem problema, esquece, isso acontece, mas junte tudo com a pá e coloque no saco, enrolado no jornal. Assim não faz mal para quem for pegar. Não esqueça de ligar se for se atrasar e lembre do nosso jantar, depois das dez e antes da meia-noite. Coloque a cadeira embaixo dos pés, enquanto rimos do programa evangélico, me faça cafuné e alivie meu cansaço com um longo abraço. Quando meus olhos começarem a baixar, me leve para a cama, me cubra e pode fazer o que quiser depois, mesmo que não seja a dois. Até que seu corpo peça pelo descanso, que vai falar mais alto num momento, venha para meu lado, sem nenhum tormento, e fique aconchegado. Quero sentir seus braços de madrugada me trazendo de volta de um sonho ruim enquanto você me guarda e se envolve em mim.
A porta estava aberta, desculpe incomodar, mas eu tive que entrar pra te ver. Chove muito lá fora e estou doente, mas estava frio na minha casa e não pude evitar aparecer, só pra você saber. Faço algo para a gente comer? O que você quer fazer? Eu quero ficar, esse é o meu lugar, em que posso melhorar? Não se preocupe com o que sinto, prometo que nunca mais minto e trago sempre um beijo quando chegar. Farei o que puder, sei que às vezes esqueço do horário, sou um tanto relapso com o tempo, que corre como o vento e não vejo passar... Isso não significa que você não esteja em meu pensamento e eu não queira chegar. Sente aqui do meu lado para eu te abraçar, quero ver você sorrindo, gargalhar. Assim me sinto sortudo, torna a minha vida mais fácil, menos à parte de tudo e com algo a desejar. Se precisar de mim durante o dia é só ligar, vou atender num instante, sem deixar o telefone na mesa e me afastar.

Raquel Abrantes

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