sábado, 25 de abril de 2009

Inominável,

Em cada momento que sua respiração me perseguia, era como se a vida acontecesse. Seu olhar me devastava intimamente, com a camuflada certeza da felicidade. O que se sucedia ao acaso, era verdadeiramente intenso no fazer a dois. Mas não no saber a dois.

Os pares se dissipavam na transcorrência dos episódios, que mudavam e transpiravam diferenças na falta de informações cruciais para o alcance da prosperidade. Suscetível aos sabores da consciência parcial, me deixei levar pelo sorriso franco e desleal de uma lembrança distante.

Com que amargura te fiz feliz? Com que loucura te trouxe dúvidas em relação à maldade? Fui capaz de estabilizar por alguns segundos suas inconstâncias? Vejo que não era nada que pudesse atribuir a minha capacidade.

No decorrer das horas memoráveis, me entreguei ao que supunha poder desvendar. Enganei minha sensibilidade, vestida em determinação e prepotência. Intencionalmente, prossegui na desbravada tentativa de consolidar o inexistente.

Me dediquei ao acolhimento da angústia, à substituição das ausências e ao cuidado com o que considerava sublime. Depositei energia mental suficiente para ressuscitar, no que não pude vencer a morte. Os becos execráveis da dissimulação me deixaram sem saída, e o fracasso na alienação me conduziu ao retorno para casa.

Se tenho esperanças, elas concernem a mim. Esta casca fina e vulnerável que me envolve mantém meu coração pulsando, neste irrevogável talento de continuar acreditando. Acredito que um dia poderei ouvir de longe os gritos; sinais de destruição de um caminho... que ainda não escolhi.


Sinceramente,

Leda.
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Um comentário:

  1. nossa Raquel, ando correndo mto.
    Tb sinto falta de passar por aqui, nem imagina, sinto falta de ter vida de verdade!!
    ai ai ai
    enfim, claro, q pode usar o nome do blog, deve!!
    "Enganei minha sensibilidade, vestida em determinação e prepotência." Isso foi magnifico!
    bju carinhoso

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