quinta-feira, 26 de março de 2009

Melodia

Olhar vidrado dele sobre ela emanava ondas elétricas correspondidas na proporção das notas musicais. E o espaço entre os dois se derretia com o aumento progressivo dos batimentos. Ambos estampavam sorrisos ansiosos – guardados no mundo feérico da dimensão abolida. Imagens em seqüência acompanhavam a letra da canção, como num daqueles filmes em que o diretor omite o final. A tensão, outra vez, confrontava-se com a arte de sublimar... Os devaneios frustrados cederam lugar à dança de gestos nervosos que insinuavam o enfrentamento. Brutos, os dedos alisavam a barba freneticamente, enquanto unhas vermelhas passeavam despretensiosas pelos cabelos castanhos, como um ritual de iniciação. Nada além do céu e do som, seus desejos se entrelaçaram, desesperadamente. (...) Aptos estavam a trilhar o caminho para onde se pertenciam. A melodia emitiu sua última nota.

Raquel Abrantes

3 comentários:

  1. adorei o post, raquel...
    expressa exatamente o que eu gostaria de fazer agoa, distante que estou do meu amor!
    tinha esquecido de te linkar lá no cafôfo, mas jája vai estar tudo certinho!
    um beijo :)

    ResponderExcluir
  2. Essas ondas elétricas ainda me fazem tremer, embora tenham explodido há alguns dias.
    Minhas unhas vermelhas já estão foram lavadas, mas ainda sentem a espessura da barba.

    lindo post, Raquel! :)

    ResponderExcluir
  3. Lindo texto, é sonoro, melhor, é melódico e romântico... lindo! Bjo!

    ResponderExcluir