terça-feira, 3 de março de 2009

Madrugada


De madrugada, todos parecem os mesmos. Os mesmos lugares, as mesmas atitudes, aquela impressão falsa de alegria. Um contentamento raso daquelas pessoas encostadas no bar, na mesa de sinuca, forçando passos sem graça na pista de dança. Sorrisos sem charme (pela falta de gosto) olham pra você enquanto sua vontade quer o agradável ambiente da solidão. Um gole, um pulo, um tempo perdido. Às vezes, quando viver se torna uma obrigação, já não sabemos mais o que é vida. Viver naquilo que se repete e sufoca não pode ser viver. É uma questão de referência. Enquanto algumas pessoas querem a noite, outras querem algumas horas num quadrado escuro. Enquanto uns buscam as estrelas, outros olham para as latas no chão. Não quero tropeçar pela degradação e falta de vislumbre. Quero subir a escada da tarde até a madrugada entre pensamentos que me levem a menor consciência que seja das fases da lua. Me confortar na busca de um saber inalcançável, mas discutível, e esticar as pernas na relaxante dúvida do que é certo e errado, fazendo o que cabe a mim mesma.

Raquel Abrantes

2 comentários:

  1. 'Quero subir a escada da tarde até a madrugada entre pensamentos que me levem a menor consciência que seja das fases da lua. Me confortar na busca de um saber inalcançável, mas discutível, e esticar as pernas na relaxante dúvida do que é certo e errado, fazendo o que cabe a mim mesma.'

    eu também quero. exatamente assim.

    beijos! :)

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  2. "Viver naquilo que se repete e sufoca não pode ser viver". Não, minha querida, isso seria sobreviver...

    Que sorte a sua tantos quereres nobres. Tudo começa a partir do nosso desejo mesmo.

    Amei saber que to ali do ladinho linkada!!!
    Um beijo :)

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