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Mais um ano

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Mais um ano chega se despede de dezembro com pulsão transformadora deixa o que passou em seu lugar quer mostrar a que caminha, sua paixão edificante para despender menos e construir mais perceber em vez de palestrar organizar o que resta confuso eleger os arredores dele mesmo perto, continuamente perto, outros, por falta de mais, que sigam em frente, sempre, adiante cada qual para o lado cabido cada um em seu instante prefere o amor ao ardor o perdão diante da dor a oração que faz sentir na pele a mudança tênue ou evidente para toda gente enfim, um ano para ser melhor que o anterior, como tenta o ser humano a todo novo ano. Raquel Abrantes

contagem

ponteiros se sobrepõem no passar das horas e nada acumulo minutos de ingratidão passíveis de cobrança sempre passíveis de cobrança passivos. passáveis, talvez como o tempo que continua intercalando horas minutos segundos prefiro pensar no intermediário como a meta de equilíbrio na vida assim a culpa se dilui mais depressa não tanto quanto o ponteiro que não para mas o bastante para aguardar as horas em que tudo será retribuído compensado em que poderei mergulhar sem sentir frio em que irei emergir sorrindo e voltar os olhos para quem amo vitoriosa por meu desempenho naquela piscina vazia de gente porque as pessoas estavam aqui ao lado sem cronômetro apenas entregues presentes e os ponteiros serão novamente uma mera burocracia da cidade para aproximar todo mundo evitar desencontros pela falta de sincronia e ocuparei o meu espaço no molhado e no seco mais habitados que antes.        ...

Névoa

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a névoa tirou o brilho de outro sono perdido evaporado pela mente escaldante e consciente na bruma, a paz imensa pode favorecer a crença sem estrelas intrometidas a figura introspectiva dançar de fumaças o silêncio abarca e mostra a alegria do instante, guia. Raquel Abrantes
batidas, freadas movimentos errantes além da rua calçada adentro atingem o passeio de pessoas e bichos em andar adquirido que desviam ou não saem ilesos ou não na mão certa ou contra apenas o vento a favor demasiado leve para o atrito grito! Raquel Abrantes
unha quebrou entrou na carne sangrou a porta que bateu Quem é? quem não importa travessia torta de mau jeito apreço próprio apressado desesperado errou o foco traiu o cenho franziu o certo olhou o teto quase apagou a luz da casa onde caía; vai e vem volta e revolta sem porquês sem outra vez. Raquel Abrantes
lados, teto, chão comichão danada essa farpa que entra no pé naquele piso velho ninguém usa mais e eu ainda tenho pé direito alto também mas nem tanto para escapar do resto do taco usado por todos os lados piso paredes espinhosas tão em desuso quanto escoram o peso do corpo no teto rebaixado vejo aquele lustre engessado ilustrado de luzes demais vidros demais fios demais espaço demais para dois pés descalços para duas mãos ásperas para uma pessoa só com tantos lados quanto aquela casa. Raquel Abrantes
veio, veio e quis ficar se alastrou pelas dobras um tempo irreal tão irreal como eu há alguns minutos à vontade sem nada queixar nem deixar malicioso estúpido resistente nós entrecortados nós entrelaçados ainda agora está como antes inverídica a vinda e a ida para nada por nada de nada não tem de quê. Só um quê perdido sussurra no ouvido transparece nem pesar, pesa e passa, passa... vê na volta o próprio rabo no fim da curva desventura daqueles que Raquel Abrantes