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contagem

ponteiros se sobrepõem no passar das horas e nada acumulo minutos de ingratidão passíveis de cobrança sempre passíveis de cobrança passivos. passáveis, talvez como o tempo que continua intercalando horas minutos segundos prefiro pensar no intermediário como a meta de equilíbrio na vida assim a culpa se dilui mais depressa não tanto quanto o ponteiro que não para mas o bastante para aguardar as horas em que tudo será retribuído compensado em que poderei mergulhar sem sentir frio em que irei emergir sorrindo e voltar os olhos para quem amo vitoriosa por meu desempenho naquela piscina vazia de gente porque as pessoas estavam aqui ao lado sem cronômetro apenas entregues presentes e os ponteiros serão novamente uma mera burocracia da cidade para aproximar todo mundo evitar desencontros pela falta de sincronia e ocuparei o meu espaço no molhado e no seco mais habitados que antes.        ...

Névoa

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a névoa tirou o brilho de outro sono perdido evaporado pela mente escaldante e consciente na bruma, a paz imensa pode favorecer a crença sem estrelas intrometidas a figura introspectiva dançar de fumaças o silêncio abarca e mostra a alegria do instante, guia. Raquel Abrantes
batidas, freadas movimentos errantes além da rua calçada adentro atingem o passeio de pessoas e bichos em andar adquirido que desviam ou não saem ilesos ou não na mão certa ou contra apenas o vento a favor demasiado leve para o atrito grito! Raquel Abrantes
unha quebrou entrou na carne sangrou a porta que bateu Quem é? quem não importa travessia torta de mau jeito apreço próprio apressado desesperado errou o foco traiu o cenho franziu o certo olhou o teto quase apagou a luz da casa onde caía; vai e vem volta e revolta sem porquês sem outra vez. Raquel Abrantes
lados, teto, chão comichão danada essa farpa que entra no pé naquele piso velho ninguém usa mais e eu ainda tenho pé direito alto também mas nem tanto para escapar do resto do taco usado por todos os lados piso paredes espinhosas tão em desuso quanto escoram o peso do corpo no teto rebaixado vejo aquele lustre engessado ilustrado de luzes demais vidros demais fios demais espaço demais para dois pés descalços para duas mãos ásperas para uma pessoa só com tantos lados quanto aquela casa. Raquel Abrantes
veio, veio e quis ficar se alastrou pelas dobras um tempo irreal tão irreal como eu há alguns minutos à vontade sem nada queixar nem deixar malicioso estúpido resistente nós entrecortados nós entrelaçados ainda agora está como antes inverídica a vinda e a ida para nada por nada de nada não tem de quê. Só um quê perdido sussurra no ouvido transparece nem pesar, pesa e passa, passa... vê na volta o próprio rabo no fim da curva desventura daqueles que Raquel Abrantes

Poesia

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uma letra leva a duas e o número acrescenta mesmo curta a palavra diz entre vírgulas, reticências... às vezes mais que belas frases bem compostas carismáticas escrita acende suas entranhas; como bate para abater (pode rimar com outra ou estranhar a própria) sem trair, atrai sintonias várias pela pulsação conexa e cara. Raquel Abrantes