batidas, freadas movimentos errantes além da rua calçada adentro atingem o passeio de pessoas e bichos em andar adquirido que desviam ou não saem ilesos ou não na mão certa ou contra apenas o vento a favor demasiado leve para o atrito grito! Raquel Abrantes
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unha quebrou entrou na carne sangrou a porta que bateu Quem é? quem não importa travessia torta de mau jeito apreço próprio apressado desesperado errou o foco traiu o cenho franziu o certo olhou o teto quase apagou a luz da casa onde caía; vai e vem volta e revolta sem porquês sem outra vez. Raquel Abrantes
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lados, teto, chão comichão danada essa farpa que entra no pé naquele piso velho ninguém usa mais e eu ainda tenho pé direito alto também mas nem tanto para escapar do resto do taco usado por todos os lados piso paredes espinhosas tão em desuso quanto escoram o peso do corpo no teto rebaixado vejo aquele lustre engessado ilustrado de luzes demais vidros demais fios demais espaço demais para dois pés descalços para duas mãos ásperas para uma pessoa só com tantos lados quanto aquela casa. Raquel Abrantes
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veio, veio e quis ficar se alastrou pelas dobras um tempo irreal tão irreal como eu há alguns minutos à vontade sem nada queixar nem deixar malicioso estúpido resistente nós entrecortados nós entrelaçados ainda agora está como antes inverídica a vinda e a ida para nada por nada de nada não tem de quê. Só um quê perdido sussurra no ouvido transparece nem pesar, pesa e passa, passa... vê na volta o próprio rabo no fim da curva desventura daqueles que Raquel Abrantes
Poesia
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uma letra leva a duas e o número acrescenta mesmo curta a palavra diz entre vírgulas, reticências... às vezes mais que belas frases bem compostas carismáticas escrita acende suas entranhas; como bate para abater (pode rimar com outra ou estranhar a própria) sem trair, atrai sintonias várias pela pulsação conexa e cara. Raquel Abrantes
Sem querer
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O lustre balançava ao correr da festa. Sobrevoava meus pensamentos. Ia e vinha, enquanto eu ficava. Sem querer. Ficava por já estar ali. Também oscilante, por dentro. E os ruídos inconvenientes ao meu estatuário momento. Os ruídos também ficavam. Nem foram convidados. Detesto visitas inesperadas. Nem tão intenso esse desgosto. Pode ser encantadora a chegada. Mas aquela(s), não. E meu abrigo, meu amigo, meu parceiro. Quem dera desse um jeito! Via o lustre e ele até parecia alegre, balouçando... Pensando bem – como tive tempo, apesar do desvio do rumo dos meus devaneios (se é que devaneio tem rumo). Devia estar nervoso com aquela agitação. Sua estrutura ameaçada, desvalorizada, suprimida. Sem querer. Faço coisas sem querer. Como uma palavra mal recebida. Quando quero, faço mesmo. E aí recebe quem a quiser. Umas letras perdidas que às vezes acho. Descubro uma frase e me torno real. Mais real que um instante presenciado por muitos. Apesar da festa continuar como se eu não estivesse. R...
Ele
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Um deslumbre! Bem torneado, traços finos e definidos, intervalos atraentes entre as expressões. Encantamento instantâneo. Naquela livraria, as estantes perderam o costumeiro sabor. Não conseguia tirar os olhos dele, que não me via. Seu tom avermelhado, corado, marcante. Estava tudo ali. O nome chamava a atenção e, pelo que pude perceber, meio de perto meio de longe, tinha conteúdo de valor. Palavras de arrepiar a pele e expandir o cérebro. Repensar o lógico. Estava apaixonada. Queria porque queria. Mas não era meu. E continuei admirando, fascinada. Nenhum barulho, distração, gente chegando; nada tirava meus olhos daquela direção. De vez em quando, piscavam, e lamentava o lapso de adoração. Perdi a fome, esqueci o nome do autor que procurava, o tempo me deixou e continuei lá. Estática, sorridente, feliz e frustrada. Tinha que tomar uma atitude. Pelo menos tentar me aproximar. Fazer um movimento... Tomei coragem. Fui até a mesa do café e perguntei à...