segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cadeira de balanço


Lá vem
Lá vai
A cadeira de balanço
Com o velinho sorridente
Sempre contente

Apoiava o punho no rosto
E o cotovelo no vime
E aqueles azuis dos olhos
Que continham o mundo
De uma hospitalidade sem fundo

Recebia todos com muito gosto
Porque gente para ele era alegria
Até mesmo quem não conhecia

No desfolhar das páginas do jornal
Lembrava
De histórias hilárias
Da juventude sofrida
Da luta diária, sua bandeira
E construiu uma família inteira
Filhos, netos, bisneto

Muitas regalias eu tinha
Por ser a primeira neta, sorte a minha
E bem disso me aproveitava
Como o balão de gás hélio que soltava
E logo outro já ganhava

Dos livros escolares
Menos indicados para minha idade
Consegui escapar, sem pesar!
Porque ele lia e tudo me dizia
Para a prova que eu faria
E histórias em quadrinhos ele me dava
Da Pantera Cor-de-rosa, que eu adorava!

Seu instinto militar, talvez
Deixou dor uma única vez
Um puxão de orelha com ardor
Que nem me lembro o porquê
Apenas que fiz por merecer

O importante das reminiscências
Foi o convívio intenso até a adolescência
O avô agregador, professor
Com a grande vida que ergueu
E a responsabilidade que me deu.


Raquel Abrantes