domingo, 29 de julho de 2012

Não sei


não sei
não sei porque senta 
em frente à própria cova
esperando cair um dia
Tento de novo depois
não, vamos agora logo
não sei
não sei o que deveria saber
o que faço, então?
Não faço
pego outro livro
a prateleira não aguenta mais o peso
nem eu 
Estudo o caso:
a cova que anda
todos os dias pelas ruas
inserida no ciclo de um mortal
um mortal com emprego, família, papagaio e título do clube.
que seja.
e o que mais?
a cova.
a cova imprevista porém calculada 
como o imposto de renda e os 10% do garçom.
é decrescente
para menos vida
para mais vívida
cada vez mais a cova
cada vez menos o tempo
e, neste caso, a vida
tem um pé nos dois
Lamento
a pegada pretensiosamente programada
as vozes que se dissipam antes que se possa ouvi-las
a vitória certa de que ganhou
Antes
quando foi mesmo?
não lembro.
se alguém disse que viu
pode ser verdade
quem sabe
O banco na calçada
ainda tem seu charme
o vento no rosto de quem olha
para fora
para dentro
para onde for possível, por enquanto...
em sintonias diversas e estimuladas
evoluímos?
até quando?
não sei...
me dá um cigarro? de palha.
Não sei se foi proveitoso até agora
ainda há muito
mas o quê?
Vamos lá!
mais livros, por favor.
aceita cartão de crédito?
prometo que um dia pago
é possível.
discordo do antagonismo com o impossível 
se intimidar com isso?
o impossível
o estado anterior de todas as possibilidades!
o problema é seu.


Raquel Abrantes

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