domingo, 12 de setembro de 2010

zero

as lacunas entram pela veia.
Mas o vazio
traduz-se por um portal
para o incalculável.

o zero
é uma casa vazia
algo reservado para agregar valor

nos consente o prosseguimento da contagem
por necessidade ou escolha, dependendo do dia.

há que o zero não pode ser elevado
a ele mesmo, como expoente,
num problema paradoxal.

expoente zero leva a um
e zero a qualquer número
é nada

Sem solução

o zero segue

etéreo, eterno,
em seu símbolo-corpo
Rumo à origem,
parte da ausência.


Raquel Abrantes

2 comentários:

  1. nossa, tão poderoso q eu nem sei o q deizer, vc falou tudo.
    esse ser, o verdadeiro, sempre esteve lá, e nós nos cegamos a ele por nossos pensamentos, e sofremos deles, ressentimentos, angústias, mágoas, rancores. mas quando o nosso verdadeiro valor nos é revelado, vemos a essencia do que somos de verdade, zero, infinito, natureza, o deus de espinoza, o nagual de castaneda, tudo o que existe, o devir de deleuze, o eterno retorno de nietzsche...muito bom isso aqui, vou seguir lendo mais, obrigado.

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  2. ... e eu que achava que zero é nada... na verdade o zero é muito, é soma e tem valores!

    Linda em suas postagens qualquer coisa, valores, sentimentos viram poesia!

    Te amo

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