domingo, 23 de agosto de 2009

Receita

Tentei juntar as letras para criar uma receita nova. Misturei diversos temperos, deixei em fogo brando, dava umas mexidas de vez em quando. Recendia a peixe. Não era o sabor que eu queria. Joguei tudo fora e arrisquei outras palavras. Começou bem, mas o sujeito não se entendia com o objeto. Mudei a ordem de adição dos ingredientes para diluir as adversidades. Mesmo assim, passou do ponto. A fome surgia cada vez maior, sem identificar o que agradaria ao paladar. Talvez algo que venha pronto... Lembro da despensa, que transborda inspiração, me confortando toda vez que as frases ameaçam nunca mais vir para o jantar. O roteiro remete a um namorado ciumento, que reluta, abandona, mas retorna quando menos se espera. Desligo o fogo e me entrego aos saborosos pratos feitos por outros, renomados chefs que, quem sabe um dia, possam me ensinar a cozinhar de verdade.


Raquel Abrantes

4 comentários:

  1. Querida Raquel,
    Suas palavras já são, elas próprias, um tempero para a vida. Aliás, você viu este filme: Tempero da vida (filme iraniano)? Se ainda não, vá correndo ver. As "receitas" estão todas lá,
    Bjs
    C. Eduardo

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  2. Uma receita,
    um bolo,
    que traga alegria,
    que traga satisfação.

    As palavras mesmo fora da receita, são como os temperos, que ora adoçam, ora azedam, mas continuam com todo o seu gosto.

    parabéns.

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  3. Encontrei em suas palavras um intrigante tempero, desses que a gente pára em silêncio e os nossos sentidos se direcionam a enteder.
    Com certeza, voltarei. Parabéns!

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