sábado, 24 de janeiro de 2009

Primeira Parte

Não sei. Quero falar sobre o assunto, mas não sei como começar nem se consigo terminar. Então, ficarei nos devaneios. Pelo menos esses são comuns e recorrentes.
Aliás, o ‘não saber’ em seu estado de espírito representa também coisas positivas. E por quê não? Mostra ausência de convicção. E quando se tem dúvida, são consideradas todas as possibilidades. Mas, não necessariamente. Não significa que está resolvido. Não mesmo.
Sim. Eu sinto. Sinto muito. O tempo todo. Não sei, mas sinto. E quero. Quero querer cada vez mais e mais. Mais e melhor. Melhor e sempre. Quando puder. Se isso é possível...
Eu tenho mesmo é que contar uma história, para que possa me fazer entendida. É um caso raro, que às vezes apenas acontece, apesar de bastante retratado. É a ironia da vida. Quando as circunstâncias não favorecem.
Angústia. Angústia de não poder prever. De não poder controlar o incontrolável. Sendo assim, então, por que a angústia, você me perguntaria. Eu diria: “Qual sensação você tem diante da morte?”.
A frustração de não controlar o incontrolável. A impotência de não poder ser. Não poder fazer. Não poder.

29 de setembro de 2006. Dia de desastre aéreo, que iniciou uma crise nos aeroportos brasileiros. Um Boeing 737-800 da Gol e um jato Legacy de uma empresa americana se chocaram nos ares. O Boeing caiu no norte do Mato Grosso. O Legacy conseguiu pousar numa base militar, no Pará.
Mortos: todos a bordo do avião da Gol. 154 pessoas (luto).

Ironia. “No mesmo dia, enquanto uns perdem suas famílias, outras famílias se formam.” (a frase não é minha, mas vou usar). O equilíbrio das coisas... sei lá. Vai entender... é a vida.
29 de setembro de 2006. Dia de bom encontro. Inesperado. Mútuo. Recíproco. Inebriante.
O primeiro olhar... Já era. Duas linhas se cruzaram e houve constrangimento. Não cabia. Eram duas pessoas, dois mundos, duas realidades. Era inexeqüível (ou não).
Sabíamos. Mas o “eu quero” foi mais forte que o “tu deves”. O que devemos? Acima de tudo, viver. Acima de tudo, continuar. Acima de tudo, correr o risco. Mais vale o suor depois da corrida e exaustão do que a secura da inércia.
Primeiro momento: contemplação.
OBS: Quando deixamos passar o momento de nossas vidas deve ser mais triste do que nunca tê-lo tido. E se meu avião caísse antes disso? Eu pedia pra sair. Ou melhor, voltar. Se é que reencarnação vai além da ficção e dos romances espíritas. Duvido. Mas, posso inventar. Afinal, estou escrevendo.

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Um comentário:

  1. Nem sei pq....mas fiquei surpreso quando entrei e vi que era seu mesmo. Supreso e satisfeito. Sempre achei que você guardava demais essas suas ideias. Ou talvez eu que não tinha por hábito ir beber com vocês e acabava perdendo toda a conversa boa eh eh eh. Escreva mais. Estarei por aqui sempre esperando mais. No momento não posso compartilhar das argumentações. Ando limitado ao foda-se. Total falta de interesse com os porquês. Problemas demais, soluções de menos. Mas quem sabe lendo você eu não me interesse por eles de novo...

    "O mesmo sentimento que engrandece a alma quando encontrado deixa o ser humano no inferno se perdido. Trevas de meia-vida."

    E viva ao inferno....

    Beijos....saudade...

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