segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Como revirar
gente
a ponto de encontrar
gente que se amou
nessa gente estranha
de dores próprias
aquelas que formam 
cada gente
de maneira peculiar

Como aproximar as dores
de sua própria origem 
até que possam
ser esquecidas 
por novas dores
de característica outra

Sem impasse
dessas dores 
que lembram quem sou
até esta última dor

até a próxima
não sei quem serei
estando aqui, nesta forma
engessada pelo costume
que ainda vai
em toda gente
como eu e você
você com a sua
eu com a minha
em processo de desfolhamento
ou desapropriação
quem poderá dizer...

E a gente acha importante
a dor que tem

É o real que a gente leva.

Eu que acredito tão pouco
sou mais ou menos real?

Eu que sinto tão pouco
sou mais ou menos gente?

Eu que sonho sentir e acreditar
amo mais ou menos gente?

Em meio a tanta gente
a gente procura
o lapso de si.


Raquel Abrantes