domingo, 23 de março de 2014


Queria dizer
palavra escapou
fico onde estou
são coisas, coisas
e dizer, dizer
não é meu forte
vou sem norte.
Tudo bem por aí?
aqui é assim
quando já vi
findo antes
do enfim.
Flagrante
alguém me vê
não sei o quê
que se ame
(pusilânime)


Raquel Abrantes

quinta-feira, 20 de março de 2014

Despedida


esse perder-se
esse trancar-se
esse em-si-mesmo

sem idas nem vindas
depois da despedida

a mágoa desgraçada
a realidade renegada

Mas o que foi
novamente será;

viemos para andar

ordenados a sentir
até a sombra sumir

inundar a vista
desabar o tormento:

o ardor da vida
é iminente

(cicatriza a pele
retoma a corrente)

consentimento
que a carne impele.


Raquel Abrantes

sábado, 1 de março de 2014

Distração


me distraio...
trabalhos escrevem laudas
agendas organizam datas
louças deixam seu brilho
poeiras libertam a casa

me distraio...
a estante separa vontades
por estilo, tema, autor
livros leem meu momento;
marcam várias páginas

me distraio...
o calor solta sua brisa
e as cortinas dançam comigo
ventos fortes espalham cacos
reunidos pela ativa vassoura

me distraio...
as nuvens desenham o céu
de forma branda, acolhedora
e visto o sol ao meio-dia
natureza que consente admirar.

Distraída venço.
Desabitada, volto.

Sublimo 
meu coração ilógico.


Raquel Abrantes