quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Dedicatória



um pedaço de mim mamãe me deu
seus traços, seus laços, seu Deus
fui criar rabiscos, sonhos ariscos
buscar a alegria, a melhor poesia
mas reconheci minha verdadeira arte 
ao descobrir a benção da maternidade 


Raquel Abrantes

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Recomeço


Quando eu morrer
Não quero flores
Não quero lágrimas
Não quero dores
Não quero lástimas

Quando eu morrer
Não me enterrem
Não me encaixotem
Não me velem
Não me devotem

Quando eu morrer
Quero ver sorrisos
Quero ver brindes
Quero o paraíso
Quero o alinde

Quando eu morrer
Lembrem da vida
Lembrem da fala
Lembrem da escrita
Lembrem da cara

De quem viveu
De quem amou
De quem sofreu
De quem errou
De quem aprendeu
(alguma coisa)

Enquanto estou
Venham comigo
Os reais amigos
Para o que vier
Para o que der
Trocar flores
Sentir odores
Emprestar ombros
Procurar sonhos

Quando eu morrer
Evaporem minha matéria
Deixem fluir meu corpo
Sumir cada artéria
Esse é o meu gosto

Quando eu morrer
Só quero chaves
Muitas, milhares
Em uma caixa
Isso me basta
Deixem no mar
Deixem enferrujar
Para que portas
Eu, pessoa morta,
Possa descobrir
A cada novo partir...


Raquel Abrantes