domingo, 17 de novembro de 2013

Cida*


Cida, cidade
de mares, ventos, ares
de vistas incomparáveis
de natureza admirada
muito bem resguardada
pelo índio protetor, que olha
sempre para o lado de fora

Cida, cidade
de ruas enfeitadas de gente
acostumada à mesma gente
que insiste em permanecer
nesta casa de muito querer
neste lugar de poucos
bons amigos dos moços

Cida, cidade;
a pedra das costas
os voos do parque
o campo do santo
o pouso do disco
o passeio das vitrines
a cor do caboclo

Cida, cidade
que cria afetos
pais, filhos, netos
o médico da família
o dono da padaria
a banca da esquina
aquela boa menina

Cida, cidade
de aconchegante a alarida
aumenta agora despercebida
por mudanças urgentes
prédios intransigentes
carros intransitáveis
custos inesgotáveis

Cida, cidade
fonte de vários arteiros
uns loucos sem dinheiro
que criam movimentos
que movem momentos
que aparecem e veem
que, juntos, creem

nas coisas boas e belas que temos
e no mundo mais que podemos.


Raquel Abrantes


*Primeiro lugar no concurso Um Brinde à Poesia Extra - Niterói 440 anos. Campo de São Bento, 16 de novembro de 2013.

Veja matéria no Globo Niterói