sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Diálogo 1

_ O que você vai fazer hoje?

_ Pelo visto nada... com essa chuva... E você?

_ Tinha pensado em fazer algo light... ver um filme... abrir um vinho...

_ Hummm... É um convite?

_ Não... Mas se você quiser me visitar... Seja bem-vindo.


Inegavelmente a intimidade é um dom divino. Um espelho da alma; da própria essência no outro. Luminosidade e alegria incendeiam os sentidos, em uma conversa contemplativa e concentrada de dois seres que são. Estão sendo.

São capazes, juntos, de abandonar as resistências intrínsecas ao indivíduo, que está acima de si mesmo (regozijo).

Terei de afirmar, contudo, que não é de Deus isso. Não mesmo. É do homem...

“Todos os nomes do bem e do mal são símbolos; não falam, limitam-se a fazer sinais. Louco é o que lhes quer pedir o conhecimento”, Assim Falou Zaratustra. (Nietzsche tinha problemas com as mulheres, apesar de enxergar através de muitas questões).

Pode ser coisa da vida. Que passa por nós e pegamos se quisermos. Se pudermos. Se tivermos chance.

A maior manifestação de troca de energia entre duas pessoas que emanam intensidade por si, entre si e para elas.

Amor imarcescível.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Ex-felicidade

Tudo bem. É difícil pra mim. Mas vou explicar. Tenho certeza que me fará bem. Vou botar tudo pra fora. E mexer lá dentro. Sem pudor. (Aliás, uma amiga comprou um cachorro e chamou de pudor. É um pinscher... mas ninguém disse a ela o tamanho do pudor que deveria ter... risos).

Rir é uma celebração à vida. Irriga o coração e faz o ser humano acreditar na felicidade. Nem que seja por alguns instantes. Instantes distribuídos pelas horas, dias, semanas, meses e (será?) até mesmo anos.

Ahhhh... agora, falar em felicidade, assim, felicidade em seu mais profundo significado. Quando a grandiosidade do sentimento eleva-te aos céus (suspiro). Acima. O ser humano fica satisfeito. Bobo. Feliz. Com aquele sorriso que denuncia a predileção por alguém.

Esse tipo de felicidade... (lembranças da sensação).

(...)

Existem pessoas (que não existem totalmente) pessoas que nem ao menos sentirão falta disto, por não terem idéia do que se trata. Outros acharão que já tiveram, mas não sabem. Ex-felizes falarão emocionados, com a lembrança eterna da melhor época de suas vidas. Poucos sortudos, sempre rindo, juntos, até a morte.

O mesmo sentimento que engrandece a alma quando encontrado deixa o ser humano no inferno se perdido. Trevas de meia-vida. Meia-felicidade.
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sábado, 24 de janeiro de 2009

Primeira Parte

Não sei. Quero falar sobre o assunto, mas não sei como começar nem se consigo terminar. Então, ficarei nos devaneios. Pelo menos esses são comuns e recorrentes.
Aliás, o ‘não saber’ em seu estado de espírito representa também coisas positivas. E por quê não? Mostra ausência de convicção. E quando se tem dúvida, são consideradas todas as possibilidades. Mas, não necessariamente. Não significa que está resolvido. Não mesmo.
Sim. Eu sinto. Sinto muito. O tempo todo. Não sei, mas sinto. E quero. Quero querer cada vez mais e mais. Mais e melhor. Melhor e sempre. Quando puder. Se isso é possível...
Eu tenho mesmo é que contar uma história, para que possa me fazer entendida. É um caso raro, que às vezes apenas acontece, apesar de bastante retratado. É a ironia da vida. Quando as circunstâncias não favorecem.
Angústia. Angústia de não poder prever. De não poder controlar o incontrolável. Sendo assim, então, por que a angústia, você me perguntaria. Eu diria: “Qual sensação você tem diante da morte?”.
A frustração de não controlar o incontrolável. A impotência de não poder ser. Não poder fazer. Não poder.

29 de setembro de 2006. Dia de desastre aéreo, que iniciou uma crise nos aeroportos brasileiros. Um Boeing 737-800 da Gol e um jato Legacy de uma empresa americana se chocaram nos ares. O Boeing caiu no norte do Mato Grosso. O Legacy conseguiu pousar numa base militar, no Pará.
Mortos: todos a bordo do avião da Gol. 154 pessoas (luto).

Ironia. “No mesmo dia, enquanto uns perdem suas famílias, outras famílias se formam.” (a frase não é minha, mas vou usar). O equilíbrio das coisas... sei lá. Vai entender... é a vida.
29 de setembro de 2006. Dia de bom encontro. Inesperado. Mútuo. Recíproco. Inebriante.
O primeiro olhar... Já era. Duas linhas se cruzaram e houve constrangimento. Não cabia. Eram duas pessoas, dois mundos, duas realidades. Era inexeqüível (ou não).
Sabíamos. Mas o “eu quero” foi mais forte que o “tu deves”. O que devemos? Acima de tudo, viver. Acima de tudo, continuar. Acima de tudo, correr o risco. Mais vale o suor depois da corrida e exaustão do que a secura da inércia.
Primeiro momento: contemplação.
OBS: Quando deixamos passar o momento de nossas vidas deve ser mais triste do que nunca tê-lo tido. E se meu avião caísse antes disso? Eu pedia pra sair. Ou melhor, voltar. Se é que reencarnação vai além da ficção e dos romances espíritas. Duvido. Mas, posso inventar. Afinal, estou escrevendo.

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